sábado, 25 de outubro de 2014


Entrevista do candidato à Presidência da República pela Coligação Muda Brasil, Aécio Neves
Rio de Janeiro (RJ) – 25-10-14

Assuntos: relações com a China; relações com Moçambique; eleições; crescimento econômico; denúncias na Petrobras; considerações finais

 (Seguem trechos)
           
Sobre a campanha e ataques à Editora Abril.

Encerramos esta campanha. Amanhã, estarei na minha terra, em São João del Rei, para agradecer a todos por esta caminhada. Mas chego ao final feliz, inteiro, vivo por dentro e por fora. Travei o bom combate, falei a verdade e defendi o Brasil no qual acredito, com valores, com qualidade na gestão pública e com coragem para fazer o que é necessário. A decisão, é claro, será dos cidadãos e das cidadãs brasileiras. Agora, chego, depois de uma longa campanha, de muitas idas e vindas, leve, pela certeza de que tive a oportunidade de mobilizar o Brasil. Isso não é muito comum em campanhas eleitorais. O que ocorreu no Brasil, sobretudo, nas últimas semanas, foi mais que o apoio a uma candidatura. Foi um grande movimento em favor da mudança, da ética na política, e em favor da melhoria de condição de vida para muitos brasileiros. Então, sou um vitorioso por ter chegado até aqui dessa forma. Lamento o nível da campanha dos nossos adversários.

Quero aqui, de público, deixar um profundo protesto registrado contra os vândalos, criminosos que atacaram agora o prédio de um importante veiculo de comunicação, que nada mais fez do que mostrar denúncias em relação a esse governo. Isso é muito grave. A democracia que conquistamos, e muitos ficaram pelo caminho, pressupõe como um de seus pilares fundamentais a absoluta liberdade de expressão, sejam elas coletivas ou individuais, em especial a liberdade de imprensa. O país que quero governar é o país da generosidade e da união. É o país do respeito ao contraditório. É o país da verdade. Esses atos, que deveriam já ter recebido, não sei se receberam, uma recriminação dura dos meus adversários. É um país que não interessa a todos os brasileiros. Eu serei o presidente da união e da generosidade, o presidente que vai preparar o Brasil para um grande salto em busca de um futuro mais digno e de mais esperança do que esse que nos apresenta o atual governo.

Sobre relação do Brasil com a China.

A China, hoje, é o mais importante parceiro comercial que o Brasil tem. É muito importante que essa relação seja ainda mais qualificada. Política externa hoje é parceria e pragmatismo na busca da defesa do interesse nacional. E sempre estimulei as parcerias bilaterais como um instrumento muito valioso para que possamos fazer o nosso país também crescer. Lamentavelmente, tivemos uma política externa, em grande parte, conduzida com forte viés ideológico, que não apresentou resultados objetivos e positivos para o país. Vamos manter as relações com nossos vizinhos. Isso é extremamente relevante, mas quero tornar o Brasil cada vez mais competitivo e ampliar as nossas relações com outras regiões do mundo. Na Ásia, isso será fundamental. A China, no meu governo, terá um tratamento prioritário, já é hoje, do ponto de visto econômico e até social, pelo que representam as nossas parcerias, na geração de empregos e nas atividades onde somos parceiros aqui no Brasil já é um país estratégico. Eu, se vencer as eleições para Presidência da República no próximo domingo [26/10], gostaria, até como sinalização da importância dessas relações, fazer uma das minhas primeiras viagens internacionais como presidente eleito à China.

Sobre Petrobras e crescimento econômico.

Vamos prestigiar os funcionários de carreira e vamos profissionalizá-la. Os brasileiros e o mundo vão poder encontrar no meu governo o resgate da meritocracia e da qualidade da gestão pública. E na administração direta, vamos buscar governar como fiz em Minas Gerais, com metas a serem alcançadas, metas que busquem a qualificação do setor público e dos serviços públicos em especial. A questão da inflação será uma obsessão do nosso governo. Eu acredito que é possível até o final de um primeiro mandando, se vencer as eleições, levá-las, num primeiro momento, ao centro da meta, e depois reduzindo as bandas, chegar algo em torno de 3%. Hoje, um dos fatores que mais alimentam a inflação é a ausência de oferta, a ausência de investimentos no país. E o nosso governo terá as condições que faltarão a esse governo pela perda da sua credibilidade, de atrair novos investimentos para permitir que haja também um aumento da oferta.  Acredito que é possível elevarmos fortemente nossa taxa de investimento na proporção do PIB, hoje está abaixo de 17%, então metade do que alguns países asiáticos hoje têm e nós precisamos também com regras claras, com previsibilidade, com a política fiscal transparente resgatar a capacidade de atração desses investimentos. Isso é absolutamente essencial para que o Brasil volte a crescer controlando a inflação. A minha equipe econômica será uma equipe altamente qualificada, experiente e com responsabilidades claras com controle inflacionário e obviamente vamos tomar todas as providências necessárias para que o mais rapidamente possível retornaremos, como disse, ao centro da meta. Infelizmente nós teremos um 2015 já precificado pelo descontrole pelo atual governo em relação às contas públicas.

Sobre parceria com países da África.

Respeito muito essas parcerias elas possibilitaram ganhos bilaterais tanto para Angola e outros países da África, quanto para o Brasil. Vamos estimulá-las que teremos uma política externa profissionalizada, e acho que existe um potencial ainda inexplorado nas nossas relações bilaterais com Angola, mas também com outros países da África. A África estará, sim, no nosso radar da nossa política externa com grande importância.

Sobre desvios na Petrobras.

O curioso é que as mesmas fontes, que são os dois delatores que serviram para que ela fizesse acusações em relação ao PSDB, inclusive a um ex-presidente do partido, depois desmentidas, não servem para as acusações em relação ao seu governo.  Lamentavelmente, esse governo da presidente Dilma será marcado, em primeiro lugar, como o governo que protagonizou alguns dos maiores escândalos da história recente do Brasil. Se formos analisar esse ciclo de governo do PT, posso afirmar que certamente será lembrado pela história como ciclo de governo onde ocorreram os maiores escândalos de corrupção da nossa história.  E essa eleição, em especial, ficará marcada, da parte dos nossos adversários, como a eleição da intolerância, da mentira, das ofensas. E respondo a tudo isso com altivez, falando a verdade, enfrentando obviamente as ofensas, mas querendo sempre falar de Brasil.

E o Brasil real é esse Brasil que precisa ter controlada a sua inflação, que o atual governo não reconhece que seja grave e toda nossa política econômica, será marcada pela previsibilidade, pela credibilidade. Isso é essencial para que o Brasil vire essa página de fracasso na condução da política econômica, fracasso na gestão do Estado, com obras com sobrepreço espalhada por todo país e fracasso na condução dos nossos indicadores sociais. A marca desse governo é a marca do fracasso e da intolerância. Repito: o atentado que ocorreu foi a um veículo de comunicação. E é isso que tem que ser condenado por todos os democratas, por toda imprensa, por todos os cidadãos de bem desse país. E pretendo, se vencer as eleições, fazer o grande reencontro dos brasileiros. Vamos virar essa página do Brasil entre nós e eles. Seremos, no meu governo, o Brasil em que todos seremos nós, com mais educação, mais saúde, mais segurança e mais esperança em relação ao futuro.

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