Para começo de conversa, constatar, avaliar, colocar diante de todos, para que também todos examinem, opinem, se manifestem, como estão fazendo os que tomaram as ruas para protestar e reivindicar sobre os mais diversos assuntos.
Os primeiros que ganharam
as ruas tinham escrito nos cartazes que não admitiam o aumento nas tarifas de
transporte público.
Mas isso já estava longe,
mas tão longe ou distantes, que não se vê, não se ouve, quase nem dá para
lembrar. Não se pode esquecer que apesar de parte mínimo das reivindicações, foi
logo atendida, as passagens já voltaram aos preços de antes, esmagando pelo
caminho o governados e prefeito de São Paulo, governador e prefeito do Rio. Eram
os mais poderosos e, consequentemente, os mais intransigentes.
A REVOLTA DOS ANJOS, NAS RUAS,
DERROTANDO OS ENCASTELADOS GOVERNANTES
DERROTANDO OS ENCASTELADOS GOVERNANTES
Os primeiros derrotados e
massacrados foram Alckmin, governador, e Haddad, prefeito. Adversários quase
inimigos, os partidos opostos e sem diálogo (igualmente sem projeto, sem
programa e sem planejamento) se juntaram surpreendentemente nas decisões
apressadas de aumentarem as tarifas de todos os transportes, sem
exceção.
Surgiram os primeiros e
tímidos protestos, embarcaram (juntos) para Paris, declararam: “Não existe
conversa, os aumentos são irrevogáveis”. E foram jantar confortavelmente na bela
primavera de Paris, conforme assinalei aqui, na hora. Só que não imaginavam que
a primavera do calendário seria substituída imediatamente pela PRIMAVERA
POLÍTICA, como está acontecendo em muitos lugares.
Não contavam, de jeito
algum, com esses jovens que foram tomando as ruas, foram crescendo cada vez
mais, estão há mais de uma semana, e não podem desistir. O governador de São
Paulo voltou, defendeu idiotamente a violência, deu entrevista entre dois
coronéis, afirmou: “A Polícia Militar cumpriu o seu dever”.
Virou para os dois lados,
recebeu olhares de aprovação, pensou que era a vitória. O prefeito, intelectual,
professor e acadêmico, foi pelo mesmo caminho, só não aplaudiu a polícia e a
repressão, mas também não condenou.
A REVIRAVOLTA, EM DIAS OU HORAS
Só que quando puderam
perceber alguma coisa, viram que precisavam agir, ou o movimento agiria contra
eles. Imediatamente, num tempo rapidíssimo, as tarifas aumentadas, que não
poderiam ser revogadas, caíram aos preços anteriores. Mais primário ou
comprometido, Alckmin ainda elogiou “os empresários” que dominam todo o
transporte, que chamam de “serviço” de oitava categoria e na uma vergonha,
atentado criminoso e selvagem aos milhões de cidadãos que precisam chegar ao
trabalho, voltar para casa, ir a qualquer lugar.
DE SÃO PAULO PARA O RIO
O governador e o
prefeito, tão irresponsáveis quanto os de São Paulo, ficaram também impassíveis
diante do que acontecia. Sergio Cabral e Eduardo Paes sabiam e sabem que aqui é
muito mais fácil, todo o movimento dos ônibus é controlado, comandado e
coordenado pela Fetranspor.
O resto do transporte,
ainda minoritário, é dominado pelas concessionárias, sem fiscalização, que só
querem lucro (vá lá, é do sistema), mas não ligam nem se incomodam, tratam o
cliente com o maior desprezo e desinteresse.
Se o “serviço” tivesse um
mínimo de qualidade, se existisse realmente, não teriam acontecido os protestos.
Muitos dos ignorados passageiros afirmaram diante das televisões: “Se houvesse
um serviço de qualidade, com ônibus saindo e chegando na hora certa, se
pudéssemos entrar e sair dos transportes, se não fôssemos obrigados a viajar
esmagados, poderíamos até aceitar o aumento”. Era o libelo coletivo contra esses
“proprietários” de coletivos.
AGORA, O QUE ACONTECERÁ?
Estão tentando
desmobilizar os manifestantes, sugerindo: “Foram vitoriosos, as passagens
reduzidas, agora podem voltar para casa”. Não precisam, não querem, não podem
abandonar a luta marcada para 15 “rounds”, apenas porque atingiram o adversário
ligeiramente, nem no queixo foi. Nesses 15 “rounds”, é preciso dominar o ringue,
examinar as conquistas, e aí sim, aguardar o que será feito de
permanente.
CONSTITUINTE INVIÁVEL
Desculpas aos muitos
leitores e comentaristas que sugerem que a convocação de uma Constituinte seria
a solução. Pelo contrário, paralisariam tudo, caminharíamos para o retrocesso e,
pior ainda, a estagnação. Se essa sugerida Constituinte pudesse estar em vigor
em dias ou algumas semanas, teria até o meu apoio
entusiasmado.
Mas quem convocaria essa
Constituinte? Levaria pelo menos um ano para aceitarem a idéia, marcarem a
eleição, estabelecerem um tema de MUDANÇAS OBRIGATÓRIOS, com aqueles 10 itens
que relacionei aqui, e outros 3 acrescentados por leitores.
Outro quesito
importantíssimo: os atuais deputados e senadores poderiam se candidatar? Se não
pudessem, chamariam de discriminação. Se pudessem (nem digo puderem, pois não
haverá) participar, então seria a glorificação do absurdo. Se não mudaram nada
em dezenas de anos, se não fizeram reforma política, eleitoral e partidária
(entre outras), porque iriam fazer só por que tem o nome de
Constituinte?
PS – Para mostrar a
dificuldade da situação, a complexidade dos problemas, os obstáculos para
implantar as reformas mais urgentes, a conclusão: seria necessária uma voz
coletiva, como a Constituinte. Contradição do repórter? Não, apenas isenção e
sinceridade no exame dos problemas.
PS2 – Outra duplicidade
irreal, mas altamente visível: enquanto o povo estiver nas ruas, os infiltrados,
baderneiros e tumultuadores encomendados também estarão. E isso não pode
demorar eternamente.
PS3 – Mas se o povo sair
das ruas, será tido como derrotado, que deixou as ruas por incapacidade, isso é
o que dirão. Contradições e controvérsias que precisam de
solução.
DILMA-JOANA D’ARC
Pela vestimenta e pelo
perfil cada vez mais roliço, já foi comparada à Dona Merkel por este repórter.
Agora ganha denominação e identificação nova, baseada nas suas próprias
afirmações.
Comentando na televisão
(e não faz outra coisa) as intenções dos participantes do Movimento Passe Livre,
afirmou: “Meu governo ouve vozes pela mudança”. É Joana D’Arc, estúpido. Dona
Dilma ouve vozes, os que protestam ganham aplausos pelo que houve nas
ruas.
A PEC 37 DERROTADA
Os que pretendiam retirar
os poderes de investigação do Ministério Público, tiveram que aceitar a derrota.
Quando começou essa tentativa, deixei claro, aqui, que “se tratava de
retaliação, por causa das denúncias contra acusados do
mensalão”.
Um dos pontos mais
positivos na Constituição de 1988, foi a concessão desses poderes ao Ministério
Público. E eles cumpriram rigorosamente, sem arrogância e sem exagero, os
poderes constitucionais que receberam. Começaram a incomodar, veio a campanha
contra, que quase foi vitoriosa. O que não aconteceu.
A PERMANÊNCIA DOS PODERES DO
MP, GRANDE E NOTÁVEL VITÓRIA
MP, GRANDE E NOTÁVEL VITÓRIA
Excetuadas as medidas de
redução das tarifas de ônibus, três, metrô e de todos os outros meios de
transporte público, a grande vitória do povo nas ruas foi o arquivamento dessa
odiosa e vingativa PEC 37. Que pretendia praticamente acabar com o MP e suas
investigações importantes, abrangentes e reparadoras.


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