MANIFESTO
Junho 2013
Saudações estimados Irmãos
Peço sua atenção ao Manifesto da Loja Maçônica Presidente
Roosevelt.
Cientes e comprometidos com nossa nação, os Obreiros honram
a divisa do brasão da Oficina: Liberdade e Democracia.
O grito do povo
Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de
representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição
(grifamos). (Artigo 1º, parágrafo único da Constituição da República Federativa
do Brasil).
Todos podem reunir-se pacificamente, sem armas, em locais
abertos ao público, independentemente de autorização, desde que não frustrem
outra reunião anteriormente convocada para o mesmo local, sendo apenas exigido
prévio aviso à autoridade competente (artigo 5º, inciso XVI da Constituição da
República Federativa do Brasil).
Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do
Brasil: construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o
desenvolvimento nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as
desigualdades sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de
origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação
(artigo 3º, incisos I a IV da Constituição da República Federativa do Brasil).
A administração pública direta e indireta de qualquer dos
Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá
aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e
eficiência...(grifamos). (Artigo 37, caput, da Constituição da República
Federativa do Brasil).
O Brasil vive um dos mais importantes momentos de sua
história. Verdadeira oportunidade de revisão profunda da condição de cidadão
brasileiro. O que se vê com a onda crescente de protestos nas nossas principais
cidades é muito mais do que a reação ao aumento das tarifas de ônibus.
Assistimos à exaustão da paciência da população com o teatro criado pelo poder
iludindo o povo de que o país vai muito bem, obrigado.
O movimento das ruas expõe nossas entranhas, nossa
verdadeira imagem como sociedade que quer evoluir e que possui, sim, valores
éticos, tem esperança e acredita que possa caminhar e construir um futuro sem a
tutela dos governos de plantão. Imagem oculta, há tempos, pela hipocrisia, pela
mentira e pela defesa de interesses partidários e pessoais, em detrimento do
Brasil como ideal, da República e do Estado como meios e da própria gente como
destinatária única do bem comum e, porque não dizer, da felicidade.
Chegamos a um ponto em que o governo não mais consegue
fingir que nada acontece, ou que somente acontecem coisas boas neste país. A
população percebeu que é chegada a hora de sacudir a poeira do desmando, de
desbancar a corrupção generalizada, de desmascarar as mentiras em todas as esferas
de poder e de criar bases para um país decente, justo e bom de se viver. Justo
e bom de se viver verdadeiramente, e não só na leviana propaganda oficial.
Os protestos desnudaram uma realidade sóciopolítica até
então camuflada no Brasil pelo poder e seus agentes de divulgação. As redes
sociais, essa nova plataforma de mobilização de pessoas, rápida, eficiente e em
tempo real, pegou de surpresa os governos e os políticos. Os homens públicos
estão despreparados para essa nova face da democracia e ficaram estupefatos por
ver que o povo tem voz e, às vezes, mais forte do que as deles.
A classe política, pilhada dia a dia no sinistro banquete da
riqueza nacional que só exaure as forças produtivas do país – tendo por
especiais convivas os financiadores de campanhas, antigos e recém-chegados –,
neste momento encolhe-se ou sai de cena. E não era de se esperar algo
diferente.
Enredada em seu projeto de poder, não deixa outra impressão
senão a de que aguarda o momento em que, de modo oportunista como é de seu
feitio, aboletar-se-á cinicamente no genuíno movimento popular para tirar o
inconfessável proveito pessoal e partidário que lhe convenha.
Ou talvez pacientemente só aguarde que as manifestações
arrefeçam ou pareçam-lhe encerradas para voltar sua total atenção ao costumeiro
balcão de negociatas. Da classe política, num momento crucial como este, vê-se
somente mais do mesmo.
Por isso não é possível esperar que nossos (supostos)
representantes liderem as mudanças em prol do interesse nacional. Está claro
que os legítimos donos do poder é que têm de mostrar que a empulhação política
praticada em todo o espectro partidário nacional, da situação à (suposta)
oposição, não é mais tolerável.
Não dá mais para esconder o quanto vivemos uma farsa de
publicidade institucional.
O cidadão brasileiro sofre com a elevação geral dos preços e
ameaça de inflação descontrolada em razão de pura irresponsabilidade do governo
federal, juros altos, administração da pobreza (e não sua erradicação),
educação precária, sistema de saúde agonizante, transporte público ineficiente,
insegurança para andar nas ruas ou para ficar em casa, leis penal e processual
penal fora da realidade, impunidade, drogas; morosidade no julgamento do
mensalão; manobras do governo federal para barrar o registro de um novo
partido; a PEC 37 tentando retirar do Ministério Público sua função de
investigação; a PEC 33 tentando submeter as decisões do Supremo Tribunal
Federal ao Congresso Nacional; o presidente do Senado em seu posto, a despeito
de um milhão e meio de assinaturas contra; o presidente da Comissão de Direitos
Humanos da Câmara dos Deputados igualmente em seu posto, apesar dos candentes
protestos; corrupção ativa e passiva em todos os níveis; gastos públicos
injustificáveis com estádios – a maioria deles em cidades sem qualquer tradição
esportiva; ausência quase total da prometida e propalada infra-estrutura que
permaneceria em benefício das cidades-sedes da Copa do Mundo de futebol; falta
de representatividade dos políticos; tudo isso e muito mais provocaram a
descrença do povo.
A juventude nas ruas mostra ao mundo uma nova cara do
cidadão brasileiro. E ainda que esmagadora maioria, não são só eles, os jovens,
que estão nas ruas. Pais e mães de família e adolescentes encorajam-se a
manifestar-se.
Nova também é a postura política dos manifestantes. Eles
põem em cheque as articulações, como partidos, sindicatos, sociedade civil
organizada e até a mídia tradicional, revelando a clara insatisfação com as
instituições e com a democracia representativa via partidos políticos.
A onda de protestos vinda das mídias sociais ganhou força e
irrompeu a semente de um novo modelo na jovem democracia do Brasil, sabiamente
resguardado pela Constituição Federal: a democracia direta, vinda do povo que,
pressionado, mobiliza-se horizontalmente, sem ideologias e partidos políticos.
A democracia é um aprendizado constante. O próximo caminho
será a inevitável aproximação dos políticos e das agremiações partidárias com o
cidadão comum que está nas redes sociais e nas ruas.
Caminhamos rumo à maturidade da cultura política do país.
Portanto, como maçons – homens livres e de bons costumes –,
congregados na Augusta e Respeitável Loja Simbólica Presidente Roosevelt, 025,
na Grande Loja Maçônica de Minas Gerais de quem somos jurisdicionados, e na
Maçonaria Universal, também nós nos manifestamos a favor do exercício da plena
democracia e pelos direitos individuais e coletivos, repugnando, entretanto,
todo abuso, desvio ou excesso que possam redundar em violação desses mesmos
direitos.
Indignamo-nos com a ausência de respostas de quem deveria
oferecê-las.
Omitir-se das decisões graves tem o mesmo significado, e
consequências, de exceder-se no exercício do Poder. A Maçonaria, como sentinela
da Liberdade, da Igualdade e da Fraternidade, não se omite em momento de tão
alta gravidade nacional.
Manifestamo-nos, portanto, em apoio ao movimento democrático
de 2013, e rogamos aos governantes e demais agentes políticos de todos os
poderes da República que cumpram seu irrecusável papel na solução das feridas e
dos clamores da sociedade brasileira.
A Loja Maçônica Presidente Roosevelt, por fim, em defesa dos
princípios democráticos, solidariza-se e faz ombro a ombro com as manifestações
ordeiras e pacíficas que traduzam o legítimo anseio de criar e habitar uma
Nação que espelhe o que haja de melhor na índole brasileira, e seja de fato
confiante diante de si mesma e respeitável aos olhos do mundo.

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