Contradições e desrespeito
O eleitor brasileiro merece mais respeito. O que está acontecendo quatro dias após a eleição de segundo turno, com a vitória da petista Dilma Rousseff, é de chamar a atenção e causar indignação. As discussões que agora se colocam são completamente diferentes das que foram apresentadas durante a campanha. As opiniões e posições sobre temas importantes para o país mudaram do final do segundo turno para agora.
Para dar exemplos claros da contradição que se apresenta é importante citar pelo menos dois itens: CPMF e reformas. Nenhum dos dois assuntos foi tratado pelos candidatos presidenciáveis. Aliás, a mídia tratou das reformas como assunto esquecido nas campanhas eleitorais. Agora, o presidente Lula, durante uma reunião ministerial, diz que a presidente eleita, Dilma Rousseff, precisa de ajuda para conseguir aprovar as reformas essenciais para o país e avisa que, após deixar o governo, vai viajar pelo Brasil para trabalhar pela reforma política.
Aí ficam algumas perguntas. Por que Lula não teve esse empenho, agora anunciado, para fazer a reforma política em suas duas gestões? Por que não se tratou do tema durante a campanha? É importante lembrar que qualquer reforma política verdadeira terá que tratar de financiamento público de campanha, reorganização partidária, tipo de votação, tamanho de mandatos e impedimentos para candidatos. São assuntos áridos e, sem dúvida, que despertam pouco interesse dos atuais mandatários.
Em relação à Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), a situação é a mesma. Os candidatos falavam em ampliar o atendimento à saúde, mas ninguém citava a fonte de recurso. O retorno da cobrança da CPMF era assunto proibido nas duas campanhas. Mas, agora - de uma forma educada, mas nem por isso mais adequada -, Dilma Rousseff diz que não pretende enviar um novo projeto criando o tributo para o Congresso, mas joga nas mãos dos governadores essa responsabilidade.
Mas o estranhamento não para por aí. Os governadores começam a se posicionar a favor da reinvenção da CPMF. Até mesmo os chefes de Estados que são dos partidos que derrubaram a proposta no final do ano passado. É o caso, por exemplo, do PSDB, que abriga o governador de Minas, Antonio Anastasia, que já se posicionou a favor da recuperação da fonte de recurso para a saúde.
Bom lembrar que Antonio Anastasia também não falou na campanha que pretendia fazer uma reforma administrativa no Estado e que, para tal, queria uma delegação da Assembleia de Minas.
São muitas as surpresas mesmo no período pós-campanha. O eleitor que fique confuso, afinal, os políticos só vão precisar deles em 2012 e 2014.

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