segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Aborto, a ponta do iceberg

Queixa-se o PT das dimensões que tomou a discussão sobre o aborto. É inegável que suas maiores lideranças, em especial a candidata Dilma Rousseff, estejam à procura de um atalho para chegar ao arquivamento do assunto.
O líder do PT na Câmara dos Deputados, deputado Fernando Ferro, conhecido marxista, quer "tirar o aborto do eixo das discussões". E, se isso fosse fácil, o PT já teria conseguido, mas sua história, cravada de ambiguidades, conspira para que continue. O PT defendeu nitidamente a "liberdade de a mulher abortar", ainda com despesas pagas pelo SUS.
Sem pretender agora debater os aspectos morais do aborto, mas apenas os reflexos políticos e eleitorais desse posicionamento, entende-se que o problema é de origem marxista, consequentemente ateia.
Para Marx, Deus não existe, como não existem limitações religiosas e morais, mas tão-somente aquelas ditadas pelo interesse da ditadura do proletariado. Marxismo não é pluralidade, é ditadura que não admite contraditório e exige obediência.
Os fenômenos, assim, nessa ótica, não enxergam restrições morais e religiosas. Aliás, a religião é um "ópio", segundo Marx, para anestesiar os mais pobres, os proletários. Sobre esse alicerce ergue-se a doutrina ditada pelos teóricos do PT, justa ou injusta, negando Deus. O que seria um Brasil sem religião? Melhor ou pior? Se Serra, filho de calabreses cristãos, enveredou por uma trajetória não violenta de contestação seguida de exílio, Dilma praticou uma oposição armada, carregando o fuzil desde os 18 anos de idade. O aborto é uma questão que desperta interesse e preocupação, remete a religiosidade aos cultos, influencia como aspecto moral a base que votou em Lula e lhe concede os louros da vitória.
Nota-se que de Bíblia, Evangelhos e outras questões básicas da fé cristã Dilma não mastiga o básico, como, aliás, Lula. O presidente, em oito anos de mandato, não citou uma parábola de Jesus Cristo ou um trecho da Bíblia. Essa lacuna abre passagem para uma infinidade de dúvidas e interpretações, turbinadas ainda pelo inegável ateísmo de parcela preponderante e dos teóricos do petismo lulista.
De Dilma, como postulante à Presidência, é cobrada uma postura inconteste. "Sou a favor da vida", repetido "ad nauseam", é platitude. Seria alguém, por acaso, a favor da morte?
Eleitores dela querem saber se é a favor da vida do nascituro, não da vida contra a qual ninguém se posiciona. A favor de um, desmoraliza-se; a favor de outro, perde um contingente imenso de eleitores. Em cima do muro, continuará a ser cobrada e perderá muitos votos.
Como ministra, em 2007, afirmou: "Duvido que alguém se sinta confortável em fazer um aborto (outra platitude). Agora, isso não pode ser justificativa para que não haja a legalização (mais platitude demencial). O aborto é uma questão de saúde pública (isso, sim, é opinião dela)". Pois, vista apenas como problema de saúde, desconhece o aspecto moral e religioso. Isso é reparado pelas igrejas que insurgiram contra ela. "Legalizar" confirma um princípio do ateísmo. Enfim, Dilma está atolada nesse assunto e, para sair, terá que penar. Não bastasse a clareza dos planos em relação ao aborto, ainda o PT pôs para correr Luiz Bassuma, deputado federal de quatro mandatos, por se apresentar visceralmente contrário à posição pró-aborto do partido, adotada em 2007 após Lula ter emplacado seu segundo mandato. "Ipsis literis" do PT: "Defesa da autodeterminação da mulher, da descriminalização (ou legalização) do aborto e regulamentação do atendimento a todos os casos no serviço público". Mais claro é impossível. Exatamente nesse momento levantou-se a reação das igrejas "traídas" após a eleição e dos médicos condenados a praticar aborto apenas "a pedido" da mulher que optasse pela supressão de uma vida que carrega no ventre. Essa situação obriga a cumplicidade de um profissional, desconsidera sua crença religiosa e o juramento de Esculápio: "salvar vidas". Eis surgir mais um surto de marxismo.
Se internamente o partido está unânime a favor do aborto, os enunciados abortistas foram retirados de circulação em 2010, ano eleitoral. Oportunismo. Manter quietas as massas cristãs e reaparecer com a legalização, como já aconteceu em 2007, um dia após a maquiavélica vitória.
Não bastasse o aborto, a "Grande Transformação" destilada pela "inteligência" do PT enumera a censura de meios de comunicação, sub-repticiamente classificada de "controle social da mídia"; a devassa da intimidade pessoal (a legalização da bisbilhotice de Estado ou do partido); a taxação das propriedades; a descriminalização das invasões de terras e de habitações (legalização do assalto à propriedade privada); o uso de energia atômica para fins bélicos; a centralização da arrecadação fazendária como forma para demolir o pacto federativo e o que sobra de autonomia dos Estados e municípios; a desconstituição da MP 29 e, portanto, da vinculação de recursos para a saúde; o retorno da CPMF (como se não bastasse a carga tributária atual); a estatização de empresas de "interesse" do peleguismo etc. Tem mais absurdos para fazer do Brasil uma nova ditadura, mas já esse conjunto de "transformações" mostra-se intragável para o pacifico povo brasileiro. A "Transformação" (um golpe fatiado) contaria com o apoio de países satélites e ditatoriais, como Bolívia, Venezuela, Equador, Argentina, e de mais distantes, como Síria, Irã, Coreia do Norte (esse país, apesar de não possuir qualquer relação comercial com o Brasil, já foi aparelhado com representação diplomática) e outros exóticos, quanto nazistas do mundo inteiro.
Pois bem, o iceberg petista mostrou a ponta do aborto, mas sob a superfície há uma massa de questões infinitamente mais inquietantes. Entretanto, em época eleitoral, usa-se atrair o povo "pelo estômago", como ensina Lula, e o aborto fica para depois. Desta vez, a massa foi pisada pelo aborto e passou a enxergar Dilma com suspeição. Quem é essa mulher? De onde veio? Qual é o pensamento dela? É gato ou lebre? É fantoche de um plano assustador? O que a levou a mudar de repente a maquiagem, o programa, o discurso, os planos, o seu passado obscuro? Não era suficiente se apresentar como ela é? Quer enganar alguém? Dilma, nesse quadro, corre o risco de se afundar sozinha sob o peso de explicações desencontradas, fruto de um artificialismo eleitoreiro de última hora. O aborto soou de alarme que só ela poderá desligar. Lula, nisso, não serve. Em breve, estará aposentado "assando coelhos" no seu quintal.

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