Governo monta força-tarefa para blindar Erenice Guerra
(Ministra da Casa Civil)
O governo federal preparou uma bateria de notas oficiais e providenciou até mesmo a exoneração de um funcionário da Casa Civil para tentar blindar a ministra da pasta, Erenice Guerra, dos efeitos da acusação de lobby ilegal, tráfico de influência e corrupção. Pelo tamanho e a força da reação institucional, nota-se que o caso representa risco potencial maior para a candidatura de Dilma Rousseff que o episódio dos vazamentos da Receita.Desde a denúncia, publicada pela revista Veja e imediatamente repercutida por toda a imprensa, já foram divulgadas notas da própria Erenice Guerra, da Anac, dos Correios da EPE – Empresa de Pesquisa Energética, além da carta de demissão de Vinícius de Oliveira Castro, assessor jurídico da Casa Civil. A própria ministra pediu abertura de investigação pela Comissão de Ética e declarou-se disposta a abrir mão dos próprios sigilos bancário, telefônico e fiscal.
A avaliação dos estrategistas da campanha é de que a denúncia permite uma associação muito mais direta a Dilma Rousseff que o episódio dos vazamentos da Receita e da suposta tentativa de dossiê. O susto não foi pequeno no comitê da petista, que teme a imprevisibilidade do caso. Uma prova - ou algo com aparência de prova - de corrupção ou outro malfeito contra uma pessoa tão próxima a Dilma é tudo que os petistas não querem, faltando 18 dias para a eleição.
O presidente Lula descarta, por enquanto, a demissão da ministra, pelas mesmas razões, agora fortalecidas, que evitou rifar o secretário da Receita, Otacílio Cartaxo. Mas teve uma reação sintomaticamente defensiva ao comentar a quadrilha pega pela Polícia Federal, no Amapá, na Operação Mãos Limpas: "Quando tem roubo a gente pega. Vocês viram o que aconteceu no Amapá. Só tem um jeito de um bandido não ser preso nesse País, é não ser bandido. Porque se for bandido e a gente descobrir, a gente pega", disse Lula.

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