quarta-feira, 5 de maio de 2010

A distância entre o Congresso e a opinião pública

Mais uma oportunidade perdeu o Congresso de acoplar-se ao sentimento nacional, especialmente às vésperas das eleições para a renovação dos mandatos parlamentares. Prevaleceu o interesse pessoal dos deputados na votação de ontem, na Câmara, a respeito do projeto da ficha-suja apresentado ano passado com a assinatura de 1 milhão e 600 mil cidadãos.
A proposta tinha sido desfigurada em seu objetivo principal, que tornava inelegíveis quantos candidatos houvessem sido condenados pela Justiça, em primeira instância. Os líderes de quase todos os partidos mutilaram o texto, estabelecendo a negativa do registro de candidaturas apenas para os condenados por tribunais, quer dizer, em segunda instância. A morosidade do Judiciário em julgar as causas mais simples ensejaria longos anos de permissividade para os candidatos.
Esperava-se que na votação de ontem o plenário da Câmara restabelecesse o impedimento para condenados por sentença em primeira instância, mas isso não aconteceu. Pior ainda, foi mantida a cláusula de que qualquer mudança não valeria para as eleições de outubro deste ano, começando sua vigência nas eleições municipais de 2012.
Em suma, a distância entre o Congresso e a opinião pública permanece a mesma: quilômetros os separam. Ilude-se quem supuser o eleitorado rejeitando quantos votaram contra o projeto ficha-suja, ou tergiversaram empurrando a questão com a barriga. Em maioria, serão reeleitos. Assim como os condenados por crimes diversos…

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